Conheça Santa Vitória do Palmar
Santa Vitória do Palmar é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado no extremo sul do Brasil, que durante muito tempo ficou conhecido como uma terra de ninguém.
O tratado de Santo Idelfonso, celebrado em 1777, estabelecia que Portugal exerceria a posse sobre a margem esquerda do rio da Prata e a Espanha lhe devolveria a Ilha de Santa Catarina enquanto que para a Espanha ficaria a Colônia do Sacramento, a Ilha de São Gabriel e parte da região dos Sete Povos das Missões.
Entre os dois territórios ficou a faixa de terra sem dono, denominada de Campos Neutrais desde o Taim até o Chuí. Era uma área neutra, o limite das fronteiras, onde nem os espanhóis, nem os portugueses podiam localizar as suas tropas ou acampamentos.
Apesar do tratado, no ano de 1821 os Campos Neutrais foram integrados ao Brasil e Dom Diogo de Souza concedeu a primeira sesmaria à Antônio Joaquim de Carvalho Porto.
A situação das fronteiras, entretanto, permaneceu confusa. A solução foi o Tratado de Limites, ou Tratado Definitivo, celebrado em 12 de outubro de 1851, onde o Uruguai aceitou a incorporação dos Campos Neutrais ao território brasileiro.
Em 1852, o governo Imperial nomeou o Marechal Francisco José de Souza Soares Andréa para comissário para a demarcação dos limites estabelecidos no tratado. Em sua estada no Taim, o Marechal autorizou a criação do povoado em torno de uma igreja, em terras que pertenciam a sesmaria de Carvalho Porto. No dia 19 de dezembro de 1855, o comendador Manuel Corrêa Mirapalhete, fundou o povoado que em 1872 foi elevado à categoria de vila. Em 24 de dezembro de 1888 a vila foi elevada a município e passou a ser chamada de Santa Vitória do Palmar devido a esposa de Manoel Corrêa Mirapalhete chamar-se Vitória e ser grande devota da Santa Vitória, e Palmar devido a grande quantidade de palmeiras na região.
A importância histórica dessa região deve-se ao fato de ter sido palco de muitas disputas entre portugueses e espanhóis, até a demarcação final da fronteira, que por anos e anos foi flutuante, ora pertencente à Espanha, ora à Portugal.
Os fortes de São Miguel e Santa Teresa, que hoje estão localizados dentro das terras uruguaias, são interessantes pontos turísticos que revelam na história a disputa entre os colonizadores.
O Forte de São Miguel foi construído pelos portugueses, em 1737, a mando do Brigadeiro José da Silva Paes, que havia fundado e fortificado neste mesmo ano a cidade de Rio Grande de São Pedro, primeira cidade do Rio Grande do Sul. Sua construção se deu na disputa entre as coroas portuguesa e espanhola, pela posse da Colônia de Sacramento, bem como por toda a banda oriental do Uruguai. Após um longo período de abandono e ruínas, o Forte de São Miguel foi declarado Monumento Nacional em 1937, intensificando o processo de recuperação. Atualmente se encontra muito bem conservado, funcionando como Museu Temático.
A Fortaleza de Santa Teresa foi construída pelos portugueses e brasileiros que ocuparam a região e está localizada dentro do Parque Nacional de de Santa Tereza. É um local que, além da história marcante, abriga muitas belezas naturais. Bem maior que o Forte São Miguel, passou definitivamente à posse dos uruguaios em 1828, quando foi retomada pelas forças do General Leonardo Oliveira. No trevo que dá acesso ao Parque, também é possível aproveitar para visitar a Laguna Negra.
Em Santa Vitória do Palmar merecem destaque o Porto, os faróis de sinalização náutica, os balneários Hermenegildo e Barra do Chuí, a Estação Ecológica do Taim, as praças General Andréa, Getúlio Vargas e José Garibaldi, e prédios históricos como a Igreja Matriz, o Theatro Independência e o Museu Cel. Tancredo Fernandes de Mello.
O Porto está distante 7km do centro da cidade. Lá é possível apreciar a beleza da Lagoa Mirim, que é a maior lagoa do Rio Grande do Sul, sendo que no local há quiosques e churrasqueiras para passar o dia.
Na costa com o Oceano Atlântico estão presentes os balneários Hermenegildo e Barra do Chuí, havendo na grande extensão litorânea quatro faróis de sinalização náutica, sendo eles: Farol Chuí localizado na Barra do Chuí, na desembocadura do Arroio Chuí que marca a fronteira entre o litoral brasileiro e praias do Uruguai; Farol do Albardão, considerado um dos mais isolados do país, distante 87km da Barra do Chuí; Farol Verga, localizado a 110km da Barra do Chuí e o Farol da Sarita, situado na divisa com a praia do Cassino, a 135km da Barra do Chuí.
As Praias Hermenegildo, conhecida pela qualidade de suas ondas, e Barra do Chuí, que é o ponto mais meridional do litoral brasileiro, possuem infraestrutura de hospedagem e alimentação. Nesta última impressionam os molhes que fixam o Arroio Chuí.
A Estação Ecológica do Taim está localizada parte no município de Santa Vitória do Palmar e parte em Rio Grande. A visitação ocorre em dias e horários predeterminados sendo necessário ligar e verificar os horários antes da visita.
A Igreja Matriz foi fundada em 19 de dezembro de 1855, simultânea à criação da cidade. Apresenta um estilo eclético português, e no seu interior está a imagem da Santa Vitória, trazida da Itália em 1940, da cidade de Ravena.
O Theatro Independência é considerado um dos mais belos e de melhor acústica do interior do Estado, foi inaugurado em 1930 e sua lotação é de aproximadamente 1.000 lugares entre plateia, camarotes e galerias. Atualmente, existe um projeto de restauração e reforma visando adequá-lo tecnicamente como sala de espetáculos.
O Museu Cel. Tancredo Fernandes de Mello apresenta-se como atrativo histórico e cultural do Município, dispondo em seu acervo de artes rupestres. Aberto para visitação sem custos, no local é possível encontrar um rico material arqueológico coletado no município, e também uma vasta coleção de fósseis do período pleistoceno, que é objeto de estudo pelas comunidades científicas nacionais e internacionais.
Pelo passado que se revela, pelas belezas históricas e naturais, pela hospitalidade... Por isso tudo e por muito mais é que vale a pena conhecer Santa Vitória do Palmar.